segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Trabalho realizado por duas fotógrafas na Vila Imperial ajuda crianças a idealizar um futuro


A fotógrafa Amanda Oliveira ficou surpresa
ao saber que as crianças, como Robeane, 11,
e Maria Regina, 11, não se sentiam parte do Recife,
 cidade onde vivem.
Imagem: MARCELO SOARES/ESP DP/D.A PRESS
 
“Tia, a gente não mora no Recife. A gente mora na favela!”. Quando entrou na comunidade Campo do Vila, entre as avenidas Norte e Agamenon Magalhães, no Espinheiro, foi essa frase que a fotógrafa Amanda Oliveira escutou de uma criança. Provocada a transformar os conceitos impressos pela desigualdade social no meio, ela está mudando a ideia de cidadãos dos jovens locais por meio da técnica de fotografia Pinhole, que permite utilizar objetos simples para obter imagens fotográficas.
Com uma caixa de fósforo, pedaços de papelão e uma curiosidade imensa, meninos de 12 a 15 anos estão descobrindo que é possível extrair beleza do lugar onde vivem, mesmo com a quantidade de entulhos que sobraram dos barracos derrubados para construir 144 unidades habitacionais da Prefeitura do Recife. “Fiquei impressionada em ver que elas não se sentiam parte da cidade e resolvi começar a oficina”, contou.
Uma vez por semana, eles são levados a conhecer a história da fotografia, a obra de fotógrafos renomados e os conceitos de luz e enquadramentos. “Ao mesmo tempo, discutimos os hábitos locais, economia, política e problemas como preconceito, pedofilia, violência e drogas”, contou Amanda.

Quinze crianças participam do projeto. Depois de aprender a teoria, eles criaram com objetos recolhidos dentro de casa as máquinas fotográficas e agora saem em busca da imagem perfeita dentro da comunidade. “Ninguém nunca tinha  nos incentivado a descobrir esse mundo”, disse a estudante Robeane Santos, 11, que pretende utilizar o aprendizado futuramente como trabalho.
Maria Regina Montenegro, 11, não quer guardar o que aprendeu. “Minha expectativa é de passar esse conhecimento para outras pessoas”. Até agora, os alunos fizeram apenas uma sessão de fotos. Nas próximas aulas, eles terão contato com máquinas analógicas. A ideia é que, ao fim do curso, sejam feitas três exposições. Uma na própria comunidade, de cerca de 700 habitantes, outra na Igreja Presbiteriana das Graças, que encabeça a iniciativa, e outra para o público externo. Os próprios alunos vão escolher as fotos para expor.
O que é pinhole
O nome Pinhole vem do inglês, buraco de alfinete. Trata-se de uma técnica antiga, que permite produzir imagens em qualquer lugar ou objeto vedado, deixando apenas passar um filete de luz por um pequeno buraquinho sem utilização de lentes.
A técnica já foi divulgada com o uso de latas, mas ainda é pouco conhecida com a utilização de caixinhas de fósforos.
Como fazer 
Material
1 caixa de fósforo
Fita isolante
Papel alumínio
1 pegador de madeira
1 pedaço de madeira
papelão
2 filmes fotográficos (uma usado e outro novo)
2 prendedores de cabelo
Modo de fazer 
Pegue a caixa e retire a parte interna. Faça um buraco no fundo, como se fosse uma tela. Pinte de preto dentro. Pinte o interior da outra parte para vedar a entrada de luz. Junte as peças. Cole o papel alumínio no meio. Na frente, faça um pequeno furo com uma agulha ou objeto semelhante. Em cima do furo, coloque dois pedaços de papelão, com as extremidades maiores do que a caixa (para puxar). Corte  uma circunferência no centro dos dois papelões. Abra a caixa e coloque o filme por trás. Quebre o pegador de roupa em dois e, com uma das estacas, introduza no buraco do filme vazio. Rode o filme para o cartucho cheio.
Tempo ideal para fotografar
2 a 10 segundos (dia)
5 a 10 minutos (noite)


Fonte: matéria do Diário de Pernambuco extraída do site do projeto Transforma Jovem.
 
 
 

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