Parto humanizado não é difundido
17/06/2012 01:06 - LUIZ FILIPE FREIRE
Ilha de Itamaracá, 15 de maio de 2011. Numa casa de aparência humilde, uma caixa d’água comprada de improviso era cenário para a vinda da pequena Maysa ao mundo. Isto mesmo. A menina, hoje com um ano e três meses, nasceu dentro do reservatório. E se equivoca quem pensa que o inusitado aconteceu por falta de condições da família da criança. O episódio foi acompanhado por profissionais qualificados e teve o consentimento dos pais do bebê. Foi mais uma realização do chamado parto humanizado, que, segundo especialistas, proporciona “o respeito ao corpo da mulher e interfere positivamente na relação da própria mãe com o filho”.
É o que diz a enfermeira-obstetra Tatianne Frank, profissional responsável pelo parto de Maysa e que realiza o procedimento há nove anos em unidades de saúde, inclusive públicas, como o Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Imip). Ela conta que o parto do tipo cesárea ou mesmo o normal, quando realizado em hospitais, agride a condição natural da mulher de dar à luz e tira-lhe o poder de decisão sobre um momento tão marcante. “No parto humanizado, a paciente pode escolher a posição, o lugar para se acomodar e outras preferências. Por outro lado, estudos apontam que uma cesárea provoca três vezes mais complicações no corpo feminino, dispensa a liberação de hormônios típicos desse evento e reduz as chances de a mãe poder amamentar. Ou seja, é como se faltasse algo da própria natureza ali. O pior é que 52% dos partos no Brasil são desse tipo”, opina.
O parto humanizado ou domiciliar pode ser realizado por enfermeiros-obstetras (procedimentos de baixo risco), obstetrizes (auxiliares capacitados para realizarem partos), médicos-obstetras (situações de alto risco) e médicos com formação em saúde da família, além de parteiras tradicionais. Em geral, a própria mãe opta por dar à luz da forma que achar mais confortável, podendo ficar acomodada numa banheira, agachada, no escuro ou acompanhada do parceiro e de outros familiares. Mas a enfermeira-obstetra Rosalina Acioli, que tem 12 anos de experiência em partos do tipo, explica que é fundamental o bom estado de saúde da mãe. “O pré-natal precisa ser feito regularmente. O ganho é que, no hospital, a paciente é muito medicada, e, no parto domiciliar, isso é evitado. Tudo acontece inteiramente do ponto de vista fisiológico”, acrescenta.
A mãe da pequena Maysa, a marisqueira Rosa Assunção dos Santos, de 30 anos, disse que não sabia da prática até o ano passado. Tanto é que Jéssica, sua primogênita, de 8 anos, apesar de nascida através de um parto normal, veio ao mundo na sala de uma maternidade, a partir de todos os procedimentos de praxe. “Quando a doutora me mostrou o processo todo em vídeo, eu amei e quis fazer diferente na minha segunda gravidez. Conversei com meu marido e ele apoiou. Como a gente não tinha uma banheira, compramos uma caixa d’água e foi muito bom. Eu tive muita atenção, aquela coisa diferente dos hospitais. Lá eles têm que dar soro, querem antecipar as coisas... No meu caso, não; Veio quando teve que vir”, relembra.
Fonte:
Folha de PE
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Confira a reportagem do FANTÁSTICO sobre parto humanizado:
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1680907-15605,00-PARTO+HUMANIZADO+DOMICILIAR+DIVIDE+PROFISSIONAIS+DA+AREA+DE+SAUDE.html
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