Primeiro episódio da nova série
explica a diferença entre os tipos de hepatite e dá detalhes da forma crônica
da doença.
“Minha vida era normal, como a de
todo garoto de 22 anos. Não sentia sintoma algum, não sentia dor. Nada que me
indicasse que eu tinha esse vírus da hepatite”, conta um jovem.
“Fiquei apavorada, assustada,
porque eu não tinha informação sobre a doença. Mas como era uma questão de uma
gestação, você se preocupa mais”, relata Juíara.
“Não posso andar no sol, pular,
correr. A comida que eu comia antes eu não posso comer. É diferente”, explica
uma criança.
Reveja outras série do Dr. Drauzio Varella:
- Aids, 30 anos depois
- Diabetes, o inimigo silencioso
“Até oito, dez anos atrás, ninguém
tinha ideia do que é hepatite. Só sabiam que existia, mas ninguém tinha ideia
do que era. Tinham algumas prevenções que não tinham nada a ver. Por exemplo,
comer em prato separado”, diz Gilberto.Reveja outras série do Dr. Drauzio Varella:
- Aids, 30 anos depois
- Diabetes, o inimigo silencioso
Nesta série, vamos falar das
hepatites e você verá que as hepatites são causadas por vírus completamente
diferentes uns dos outros. Alguns provocam uma doença benigna, quase sem
complicações. Outros, como os vírus das hepatites B e C, provocam uma infecção
crônica, que leva à cirrose e ao câncer de fígado.
Sabe quantos brasileiros existem
nessa situação? Três milhões. Sabe quantos foram identificados? Cerca de 150
mil. As hepatites são uma epidemia. Infelizmente, uma epidemia ignorada.
O fígado normal é lisinho e pesa
1,2kg, 1,5kg mais ou menos. É o laboratório químico do organismo. Todo sangue
passa por ele. Aí ele produz proteínas e elimina as toxinas, tanto as que vêm
de fora quanto aquelas produzidas pelo próprio organismo. Os vírus das
hepatites B e C são tão pequenininhos que não adianta colocar no microscópio
porque a gente não consegue enxergar.
Eles infectam as células do fígado
e isso faz um processo inflamatório crônico. As células vão sendo destruídas e
aí o organismo vai perdendo a capacidade de formar proteínas e eliminar
toxinas. A pessoa vai ficando intoxicada. Ao mesmo tempo, as células que morrem
são substituídas por umas cicatrizes que vão distorcendo a forma do fígado e
atrapalhando a circulação.
E, com isso, aumentam os riscos de
sangramentos. Isso é um processo silencioso que dura 10, 20, 30 anos. A pessoa
está doente, mas não sabe. Só vai apresentar sintomas quando o fígado estiver
em péssimas condições.
“Quando eu descobri que estava
grávida eu já fui fazer meus exames de pré-natal. E foi quando eu descobri,
nesta segunda gestação, que eu era portadora da hepatite B”. A gravidez trouxe
felicidade, mas também preocupação para Juíara, de Vacaria, Rio Grande do Sul.
O momento do parto é uma das formas mais comuns de transmissão da doença.
Na coxa direita, o bebê toma a
vacina contra hepatite B, como as outras crianças. Mas como a mãe tem hepatite
B, na coxa esquerda ele recebe a imunoglobulina que contém anticorpos contra o
vírus. Além de passar da mãe para o filho, o vírus da hepatite B também é
transmitido por objetos cortantes contaminados por sangue.
Uma pesquisa realizada em salões de
beleza da cidade de São Paulo mostrou que há muita desinformação. Só 20% das
manicures tinham tomado a vacina. Além disso, 8% eram portadoras de hepatite B.
Você tem que ter certeza que o material foi esterilizado.
A manicure vai, faz a unha de uma
pessoa, sai um pouquinho de sangue e ela depois vai e faz a sua unha, fura sem
querer a cutícula, esse vírus – que é uma coisa muito pequena entra e cai na
sua circulação. Você usa escova de dentes dos outros? Então, material de
manicure é a mesma coisa. Cada um tem que ter o seu. E se usar o material do
salão de beleza tem que ter certeza de que ele foi esterilizado adequadamente.
“Em 1979, em fevereiro, nasceu
minha filha Rita, a quarta de cinco filhos. Quando nascia algum filho meu, eu
fazia doação de sangue. Naquele dia, o médico do hospital falou que eu não
poderia mais ser doador porque eu era portador de hepatite B. O único jeito de
saber, naquele tempo, era doando sangue. Não tinha exame de sangue como hoje.”
Gilberto é um caso típico de hepatite B crônica. Não sentia nada, descobriu por
acaso que era portador do vírus e continuou vivendo bem, sem nenhum sintoma de
que a doença estava ficando grave.
“Quando foi o ano passado, eu fui
ao hospital e a doutora falou para mim: ‘Olha, você está com três nódulos
cancerígenos, vai ter que tratar. Se você melhorar, tudo bem. Se não melhorar,
entra na fila do transplante”, conta Gilberto.
Como o fígado é um órgão que sofre
calado, esses portadores crônicos não sentem nada. Só descobrirão que estavam
infectados 20, 30 anos mais tarde, quando vierem a cirrose e o câncer de
fígado.
“E a há quase dois anos, quando
encontrei a Andrea, no primeiro eu tomei um chope preto, ela tomou um suco. Eu
perguntei se a gente podia se encontrar de novo e ela falou: ‘Pode, desde que
você não beba’. Aí parei de tomar cerveja, faz quase dois anos”. Os portadores
de hepatite B não devem tomar bebidas alcoólicas. O álcool é tóxico para o
fígado.
Hepatite B tem vacina. A única
forma de acabar com a doença no Brasil. O certo era vacinar todo mundo, mas como
o Ministério da Saúde não recebe recursos financeiros suficientes, decidiu
estabelecer prioridades. Podem receber a vacina gratuitamente todos na faixa
até 24 anos. Além deles, os profissionais de saúde, os policiais, as manicures,
os portadores do HIV, além de outros grupos. A vacina tem três doses. Você toma
a primeira hoje, a segunda daqui a 30 dias, a terceira daqui a seis meses. Seis
meses contados a partir da primeira dose. Precisa tomar as três doses.
Chapecó faz parte de uma região que recebeu grande número de imigrantes italianos no início do século passado. Com eles, veio o vírus da hepatite B. Hoje, 7% dos habitantes da cidade são portadores crônicos do vírus B. Um número altíssimo. A partir de 1995, Chapecó desenvolveu um programa exemplar de vacinação que acabou com a hepatite B entre as crianças e que eliminará o vírus nas gerações futuras.
Chapecó faz parte de uma região que recebeu grande número de imigrantes italianos no início do século passado. Com eles, veio o vírus da hepatite B. Hoje, 7% dos habitantes da cidade são portadores crônicos do vírus B. Um número altíssimo. A partir de 1995, Chapecó desenvolveu um programa exemplar de vacinação que acabou com a hepatite B entre as crianças e que eliminará o vírus nas gerações futuras.
“A gente prima muito pela
prevenção. O que a gente quer é que as pessoas completem o esquema. Façam a
primeira, a segunda e a terceira dose. Nós temos uma boa cobertura de
vacinação. Sempre acima de 98% das crianças são vacinadas. O Ministério
preconiza até 95%, agente tem, sempre, a partir de 98%”, relata a coord. Setor
de Tuberculose, Maria Luiza Trizotto.
“Eu estou montando um livro, já
estou com 80 e poucos artigos, agora vou fechar o livro. Estou com dificuldade
porque não estou me sentindo bem. Então, a única chantagem que eu fiz com Deus
foi essa: ‘Vamos maneirar esse câncer aí porque eu preciso fazer o livro”,
brinca Gilberto.
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